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| Caveira, passagem secreta, tochas: conheça o castelinho de Imbé

Data: 03 de Fevereiro de 2017 | Lida 1312 vezes. | Aumentar Fonte | Diminuir fonte | Imprimir

Dividida em três partes, propriedade começou a tomar forma em 1956

Sete quadras separam o tradicional castelinho de Imbé da beira da praia. Construído na década de 1950 todo em pedra grés, o castelo se diferencia de longe das casas ao seu redor. Torres, janelas de madeira pequenas e vitrais coloridos são alguns dos detalhes da construção. O maior charme, no entanto, está porta adentro.

Dividido em três grandes partes, o castelinho da esquina das avenidas Rio Grande e Garibaldi começou a tomar forma em 1956, expandindo um pedaço já existente localizado no meio da atual construção. A obra foi idealizada pelo professor de desenho natural de Santo Antônio da Patrulha Walmyr Roszanyi, falecido há 30 anos. Sem deixar muito claro os motivos que levaram o docente a erguer um castelo em plena praia em uma época em que as casas eram escassas no município, a família argumenta dizendo que ele gostava muito da cultura medieval.

— Até tenho uma foto dele aqui vestido de viking. Tinha uma barba longa e loira, parecia com um deles mesmo — relembra o neto Lourenço Bicca, de 38 anos, que passou quase todos os verões no castelo.

Imponente diante dos olhares curiosos dos pedestres, o castelinho está situado dentro de uma área de 900m². Se por fora a obra já aguça a curiosidade, por dentro, parece uma viagem no tempo. Toda a decoração faz jus a épocas passadas: são escudos, espadas, lanças, esculturas, tochas, lustres em ferro e móveis de madeira. Fechada desde sua venda, em abril de 2016, a casa recebe ornamentação extra das teias e mais teias de aranha que aparecem por todos os cantos.

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Logo na entrada de um dos três espaços, é possível entender um pouco mais do que virá logo adiante. À direita, duas portas estreitas, com topo arredondado e detalhes em ferro. Uma delas leva a um banheiro minúsculo, coberto de azulejos antigos. A outra, tem uma janelinha quadrada pela qual se pode ver uma caveira ao acender a luz.

— Isso aqui é uma adega — apressa-se Lourenço a mostrar o que tem atrás dos ossos assustadores.

À esquerda, uma cozinha repleta de canecas, uma máquina de lavar louças e uma janela alta de madeira com venezianas. Ao lado, uma sala de jantar com uma mesa enorme, cercada de cadeiras pontiagudas. As das pontas têm assento de couro com tachas fumê. Atrás da mesa, um aparador ostenta a escultura de um cavaleiro medieval. Pendurado sobre a mesa está um lustre enorme e verde de ferro que lembra um candelabro.

Alguns passos adiante, uma sala de estar espaçosa com duas grandes portas abriga sofás de madeira, uma lareira tão alta que mais parece uma churrasqueira, toda em pedra, e mais lanças e escudos espalhados.

Subindo uma escada circular e íngreme, onde uma corrente de ferro preta enorme faz as vezes de corrimão, surge um pequeno quarto. Sem cama, o espaço guarda apenas alguns cabides da época em que era habitado. Neste cômodo, também há uma escadinha de ferro que leva a uma das torres e uma porta trancada com um pedaço de madeira na horizontal que leva a uma espécie de terraço.

Na parte central do castelo, a primeira a ser construída, mais um banheiro, algumas portas trancadas, um tanque de lavar roupas, uma garagem e uma escada de madeira inspirada da casa de Santos Dumont. Os degraus em forma de raquete se intercalam: um mais estreito na direita, outro na esquerda, facilitando a subida. No topo, mais um cômodo. Este revela uma surpresa inusitada. De frente para a cama sem colchão, um armarinho preto, quadrado e com espelho esconde uma passagem secreta. Puxando a ponta direita do falso armário, é possível ingressar no sótão da residência, onde estão pedaços de madeira e algumas outras tralhas.

De volta ao primeiro piso, há ainda mais dois quartos, uma sala pequena de estar e a porta principal da construção.

A parte mais próxima à Avenida Garibaldi reserva mais dois quartos e um banheiro amplo, também coberto por azulejos antiquíssimos. Logo na porta, uma cadeira de madeira lembra um trono. Acima dela, uma escultura de cavalo e duas luminárias de ferro em formato de tocha. À esquerda, dois vitrôs verdes. Nesta mesma parte, uma escada também leva os visitantes até uma espécie de sacada.

No gramado, ao lado da Avenida Rio Grande, a casinha de luz era decorada por uma grande âncora de ferro. O objeto foi roubado no ano passado, para a tristeza de Bicca, que adorava o adorno.

Castelo foi vendido em 2016

Parado em frente à bancada ao lado da churrasqueira, em uma área coberta pela vegetação na área externa do castelinho, o antigo frequentador relembra tudo o que viveu ali e lamenta não veranear mais no local:

— É estranho né. Agora já não pertence mais à família— diz Bicca.

A famosa construção de Imbé foi vendida em abril de 2016. Apesar do valor sentimental, o neto do idealizador do castelinho explica que os custos com cuidados do local estavam muito elevados, dificultando a sua manutenção. O novo proprietário não quis se identificar à reportagem.

 

http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/verao/noticia/2017/01/caveira-passagem-secreta-tochas-conheca-o-castelinho-de-imbe-9558886.html

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